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BULLYING E CIBERBULLYING

O Bullying é um comportamento agressivo, praticado entre colegas, que tem como objetivo fazer mal ao outro, repetidamente, causando-lhe sofrimento, mau estar físico ou psicológico. O Ciberbullying consiste em comportamentos de Bullying, mas que acontecem no meio virtual. É, portanto, uma nova forma de Bullying que utiliza as tecnologias digitais.

O que distingue o Bullying de um comportamento agressivo ocasional?

O que distingue o Bullying de um comportamento agressivo ocasional é o seu carácter intencional e repetitivo. Isto quer dizer que o agressor tem a intenção de magoar a vítima (não a magoa por acidente) e fá-lo repetidamente (todos os dias, várias vezes por semana, ao longo dos meses ou anos). Este comportamento agressivo pode consistir em agressões físicas (bater, empurrar, pontapear), em agressões verbais (chamar nomes, insultar), em agressões psicológicas (espalhar boatos, excluir a vítima do seu círculo de amizades) ou em agressões sexuais (fazer comentários de natureza sexual, assediar). A destruição sistemática dos bens materiais da vítima é também uma forma de Bullying.

Que meios são utilizados pelos Ciberbullies?

O Ciberbullying pode ser feito através do envio de  textos, fotografias, desenhos, vídeos, etc. , usando todos os meios de comunicação eletrónica e na web: e-mail, blogs, grupos de discussão, chat, mensagens instantâneas, mensagens de texto/imagem (enviadas por telemóvel) ou comunidades de redes sociais.

Quais as principais diferenças entre Bullying e Ciberbullying?

O Ciberbullying é diferente do Bullying em alguns aspetos tendo, sobretudo, consequências mais graves e mais duradouras sobre as vítimas. As suas principais características diferenciadoras são as seguintes:

Anonimato – A vítima de Bullying conhece o seu agressor e, muitas vezes, pode evitá-lo. Se, por exemplo, a agressão costuma acontecer no pátio da escola, a vítima pode evitar cruzar-se com ele. No Ciberbullying, o agressor pode esconder-se atrás do anonimato e a vítima não tem meios de saber quem ele é. Portanto, não pode evitar o contacto pessoal com ele.

Em qualquer local e a qualquer hora – Se, por exemplo, a vítima de Bullying é agredida na escola, sabe que a agressão acontece só nesse local, durante o horário escolar. Depois da escola, aos fins de semana, durante as férias, pode “respirar fundo” porque sabe que não será agredida. No Ciberbullying, a situação é diferente. Através dos dispositivos móveis, a vítima é agredida e tem conhecimento disso, a toda a hora e em qualquer lugar. 

Escalabilidade dos incidentes – Nas redes sociais, por exemplo, qualquer pessoa pode partilhar ou comentar um Post, disseminando a agressão e/ou agravando a agressão inicial.

Menor remorso – No Bullying, o agressor vê o agredido e o sofrimento que lhe está a causar. Pode, a dada altura, considerar que já atingiu o seu objetivo e parar de o agredir. Como isso não acontece no Ciberbullying, o agressor não vê o impacto que o seu comportamento tem no outro e a agressão pode continuar por muito tempo.

Audiência invisível  – O número de pessoas que assiste a um ato de Bullying é sempre limitado. Se a agressão tiver ocorrido no recreio da escola, por exemplo, ela só foi presenciada por alguns colegas. Já no Ciberbullying, a audiência é enorme e pode atingir vários países em diversos continentes!

Como posso prevenir o Ciberbullying?

Ao comunicares por meios digitais podes provocar duas situações de Ciberbullying: uma em que és tu o agressor, ou outra em que te colocar numa situação em que poderás ser tu a vítima.

Não sejas o agressor

  • Nas tuas comunicações por meios digitais, respeita sempre os outros. Como não consegues avaliar o efeito que terá o que publicares sobre o outro, pensa sempre muito bem antes de o fazeres.
  • Não partilhes posts depreciativos ou ofensivos sobre outras pessoas. Lembra-te de que, se o fizeres, estás a participar num ato de Ciberbullying.
  • Finalmente, lembra-te que te cabe a ti, e só a ti, a responsabilidade por tudo o que publicas. Se essas publicações afetarem negativamente alguém, és tu o responsável por isso.

Tem sempre muito cuidado com o que publicas

Tem sempre muito cuidado com o que publicas. Há duas perguntas que podes fazer a ti próprio para decidires se podes publicar ou não um determinado conteúdo:

  •   Importo-me que esse conteúdo seja notícia de abertura do telejornal da noite?
  •   Importo-me que esse conteúdo seja visionado pelos meus pais?

Se a tua resposta for afirmativa a qualquer uma destas perguntas, então NÃO PUBLIQUES!

O que devo fazer se presenciar ações de Ciberbullying?
  • Não participes. Não “gostes” e não partilhes os posts que atacam a vítima.
  • Denuncia o que está a acontecer aos gestores do site, aos teus pais ou aos teus professores.
  • Se não correres o risco de te tornares também um alvo, envia um comentário mostrando solidariedade para com a vítima. Um comentário positivo pode ser muito gratificante para a pessoa alvo do ataque.
  • Envia uma mensagem privada à pessoa agredida, mostrando descontentamento pelo que se está a passar.
O que devo fazer se for vítima de Ciberbullying?
  • Fala com os teus pais ou com outro adulto em quem confies. Eles ajudar-te-ão a lidar com a situação.
  • Guarda tudo: e-mails, mensagens, posts e cópias de ecrã. Não apagues nada. Imprime ou grava no computador ou no telemóvel todas as provas.
  • Se estiverem envolvidos colegas da tua escola, fala com o diretor de turma ou com outro professor.
  • Denuncia o que está a acontecer aos gestores do site.

 

Texto baseado numa videoconferência realizada pela Dra. Sónia Seixas com alunos do 3º ciclo do Ensino Básico (2017).